O nariz é a porta de entrada para as memórias, principalmente aquelas ligadas às emoções.
Ah, o cheiro de bolo saindo do forno... Ele é capaz de nos remeter a momentos calorosos do passado, como aquelas tardes de domingo em que as avós preparavam delícias para agradar os netos. Na literatura, nenhum registro sobre o despertar de lembranças por meio do olfato é mais notável do que o narrado pelo escritor francês Marcel Proust no primeiro dos sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido.
Ele descreve um episódio que ilustra bem o que hoje se conhece como memória involuntária, aquela que surge por mero acaso: o aroma do bolinho Madeleine embebido no chá evoca no protagonista cenas da infância que trazem “prazer delicioso” e “poderosa alegria”.
A ciência explica esse fenômeno — o olfato é tão importante quanto os outros sentidos na retenção das recordações e está indissociavelmente ligado às emoções, mais até do que a visão e a audição.





